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Mudam-se os patrocinadores, mudam-se as vontades

Por Jorge Botas em

A notícia é recente, mereceu alguma atenção dos media, mas pouco mais recebeu que uma mera nota de rodapé em vários sites – e neste aqui, inclusivé. A Audi assinou um acordo de patrocínio com a Astralis. A equipa de Counter-Strike: Global Offensive Dinamarquesa, que venceu recentemente os eSports Championship Series Season 2, torna-se assim uma das pioneiras desta nova vaga de patrocínios no mundo dos eSports, depois do anúncio do patrocínio da VISA aos SK Gaming

astralis patrocinadores

O impacto é significativo.

Os patrocinadores são um factor fundamental no mundo dos eSports. Ajudaram a elevar os eSports ao patamar actual e são os alicerces do crescimento expectável e desejável num futuro próximo. Mas, até recentemente, os eSports eram vistos como um nicho de mercado particularmente bem definido em termos de público alvo. A caixa de Petri perfeita para experiências com patrocínios e publicidades a produtos com um público-alvo bem vincado. Dir-se-ia que as experiências resultaram. Mas, se o arranque e evolução foram satisfatórios, certo é que o universo de patrocinadores e investidores tem sido também, de certa forma, truncado pelos moldes iniciais. Bebidas energéticas, fabricantes de equipamento informático, marcas de acessórios, lojas online, casas de apostas, etc, têm sido baralhados e redistribuídos por eventos ao longo dos últimos anos, conjugando-se os possíveis (bebidas energéticas e marcas de acessórios gaming, por exemplo) e separando-se os concorrentes. Normal e aceitável, mas o pequeno lago começava a ser escasso para o que se pretende que seja o crescimento dos eSports e, ao mesmo tempo, o mercado, com créditos firmados, vai mostrando o seu apelo a outros investidores.

Esta jogada da VISA e da Audi marca então a mudança de paradigma na abordagem dos patrocinadores ao mundo dos eSports, livrando-se da sua capa de patrocinadores “tradicionais” e, quem sabe, poderá ser um abre-olhos também para potenciais investidores no mercado nacional (que não será particularmente rico em marcas próprias das tais categorias “tradicionais” de investidores em eSports, mas que tem a sua saudável dose de grandes empresas a operar por cá). Com a entrada em cena de marcas de automóveis e de empresas de pagamentos e créditos bancários, abrem-se as portas a, potencialmente, todos os outros aspirantes a patrocinadores, sem estarem amarrados a constrangimentos etários ou de tecno-inclusão ou sem se deixarem cair na tentação de tipificar em demasia o crescente número de adeptos de eSports.

Isto é também sinal de que alguém vai estando atento ao mercado e à tipologia deste em termos de público… É que, muitos dos que começaram a seguir o mundo dos eSports com os primeiros passos de Counter-Strike ou de Starcraft, hoje em dia cresceram. E, se dantes não fazia sentido um fabricante de automóveis anunciar no segmento, porque nele não se encontrariam potenciais clientes, hoje em dia as coisas mudaram, a média de idades dos espectadores subiu, o que abre a porta a todo um outro mundo de quereres e saberes que podem – e devem! – ser vistos como uma oportunidade.

Bem jogado.

 

rubberchicken

ricardomota

Crónica do Rubber Chicken pela mão do Ricardo Mota

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