Imagem de Quem é zander? Português é braço-direito de gla1ve na 100 Thieves
Fotografia por: Diana Duarte

Muito conhecimento, pouca mídia. Técnico-adjunto de 100 Thieves, Lucas “zander” Carvalho desempenha um papel vital na equipa de André “ag1L” Gil.

Braço-direito de Lukas “gla1ve” Rossander, o português surge como um autêntico desconhecido para a maioria do público geral, subindo a pulso na sua carreira com muito trabalho feito nas sombras em projetos remotos.

Do cenário português ao russo, a aventura de zander também o levou até ao outro lado do Atlântico com muitos anos dedicados a equipas nos dois hemisférios das Américas, ganhando créditos antes do regresso glorioso à Europa.

Numa entrevista exclusiva e inédita, a RTP Arena foi ao encontro do jovem português para recordar o seu percurso ao longo da última década, as suas convições e opiniões sobre o Counter-Strike bem como as experiências e sonhos.

AS ORIGENS


100 Thieves ag1L

ag1L deu os primeiros passos competitivos com zander. (Créditos: Diana Duarte)

Como muitos antes dele, a jornada de Lucas começou em tempos mais simples – o primeiro contacto com o então CS:GO surgia em 2015, uma experiência casual que só viria a tornar-se em algo mais sério nos anos que se seguiram.

Através da FACEIT, zander começou a cruzar o seu caminho com nomes bastante sonantes do cenário português, partilhando os primeiros passos competitivos com Icarus e ag1L, jogadores que viria a liderar na qualidade de IGL.

Com maior atividade entre 2018 e 2021, zander representou Geekcase e chegou a vencer a Famalicão Extreme Gaming com maNk antes de chegar a Rhyno, organização que juntava ditrip e ewjerkz ao trio acima mencionado em 2021.

Para a história, este foi o início de uma equipa que mudou para sempre o cenário nacional, projeto que rapidamente assumiu um rumo distinto e, apenas duas semanas após a oficialização, assinalou o fim de um capítulo na carreira de zander.

“Querendo ou não, aconteceu um choque ali… as coisas já não bateram muito bem dentro do jogo. A gente não via as coisas da mesma forma”, recordava Lucas à RTP Arena, perdendo a liderança de Rhyno devido a diferenças na visão de jogo.

Rhyno DDias

Após a saída de zander, DDias assumiu a liderança de Rhyno. (Créditos: E2Tech/Gabriel Lemos)

A verdade é que esta experiência seria a última do atual técnico enquanto jogador. Embora esta pudesse parecer uma oportunidade perdida, para zander, acabou por ser uma “benção disfarçada”, chamando-o para a sua verdadeira vocação.

Por influência do bom amigo Ricardo “JTR” Júnior, atual adjunto de FlyQuest, zander regressava após um período de quatro meses para abraçar um desafio como treinador, assumindo em maio desse ano as rédeas da formação russa Meta4Pro:

“Não me classificava como um jogador muito bom, para o tempo que investia (…) o JTR achava que podia ser bom treinador, que tinha as bases necessárias para o ser e conhecia essa equipa. Perguntou-me se gostaria de ir lá passar algum tempo com eles.

Foi uma experiência bastante… exótica, não sabia muito bem o que estava a fazer, acho que as coisas na scene portuguesa eram feitas de uma forma muito amadora, então tudo o que sabia era muito primitivo, até mesmo para a altura.

Também falavam russo, os cinco. Então foi um bocado complicado no começo de perceber em que é que podia ser útil, mas sempre tive essa vertente de querer ser muito ligado ao CS em si, como o jogo é jogado, como podemos abordar as coisas.

Tive muita sorte porque foi um grupo que abraçou bastante essa vertente. Acho que foi ali que… que pude entender que muitas das visões que tinha como jogador podiam funcionar.

Talvez ajustando às pessoas que estavam à minha volta, mas foi um pouco satisfatório saber que algumas das coisas que pensava serem boas enquanto jogador realmente eram aplicadas também a ser treinador”.

JTR Nigma Galaxy HLTV blast

JTR viu talento em zander e lançou a sua carreira de treinador. (Créditos: ESL)

VALIDAÇÃO DO RUMO ESCOLHIDO


Após passar quase um ano com Meta4Pro, zander sentia que estava a ter muito impacto na equipa mas que a barreira linguística se revelava como um obstáculo, começando a procurar o seu próximo passo sem referências para utilizar.

“No cenário português não tinha muitas conexões, não tinha em lado nenhum”, referiu o técnico que encontrou exatamente o que procurava na ESEA Advanced norte-americana, dando início ao trabalho do qual mais se orgulha na carreira.

Snakes Den – Top 40 da temporada anterior, equipa sem treinador. Se, à partida, o projeto amador não se revelava propriamente promissor, a verdade é que a matéria-prima estava lá e abriu as portas a zander e a nomes como Lake, estrela de M80.

“Peguei numa equipa completamente amadora e, passados 6 meses, estávamos no top 60 do mundo. Uma equipa que era do top 40 da Advanced, passámos para a ESL Challenger League logo na primeira temporada.

Alguns ali também viraram muito bons jogadores, como o caso do Lake que hoje joga na M80, não tinha ainda um único mapa na HLTV, fizemos tudo juntos até chegar lá.

Ganhámos a Evil Geniuses, tirámos mapas a MIBR e a várias equipas do tier 1. Uma equipa completamente amadora, acabei a minha última temporada com eles no top 4 da ECL o que é absurdo”.

Lake M80

Lake foi um dos talentos que zander desenvolveu nas Américas. (Créditos: BLAST/Stephanie Lindgren)

O sucesso encontrado com Snakes Den/Unjustified começou a validar as escolhas de zander e, pouco tempo depois, levou o português até ao Brasil para a sua primeira experiência profissional, ingressando na AJF antes de rumar à CASE como adjunto.

Para o jovem técnico, o convite de Pedro “betinho” Umberto surgiu inicialmente com apreensão – na organização do futebolista brasileiro Casemiro, Lucas iria assumir um novo papel, bem diferente daquele que desempenhava até agora.

Após uma conversa entre técnicos em que lhe foi assegurada, desde o primeiro momento, autonomia para trabalhar o CS e a forma como ele é jogado, zander dava luz verde para o seu embarque, aterrando na equipa com impacto imediato.

“Foi uma equipa que me deu muita validação daquilo que eu estava a fazer, porque peguei na CASE, no top 150 do mundo, passado 3 meses estávamos no top 70. Chegámos a 4 finais consecutivas, infelizmente perdemos as 4, mas essa parte a gente não fala.”

Com uma influência positiva no desenvolvimento de nomes como Lake, snow e urban0, zander recordou com satisfação o trabalho desenvolvido em 2023, mostrando-se muito grato por toda a confiança que betinho depositou nele:

“Olho para trás e tenho um orgulho extremo também de ter trabalhado com o Betinho, foi uma pessoa que, confiou muito em mim desde o primeiro momento, foi muito ousado, pode-se dizer, ter confiado daquela maneira como ele confiou”.

betinho

O convite de betinho estreou zander nas suas funções atuais. (Créditos: HLTV/TalitaMorena)

REGRESSO À EUROPA E SALTO PARA FUT


Com mais créditos firmados, zander teve convites para regressar a Portugal após defender as cores da CASE, no entanto a falta de crença na forma como as coisas são feitas por cá dissuadiu o português de voltar ao cenário luso.

“Acredito que, para um treinador fazer o seu trabalho, precisas de ter determinado tipo de conduta, de liberdade e metodologias de trabalho… uma série de circunstâncias que, na altura, eram impossíveis de serem cumpridas em Portugal”.

Sem uma noção real de como são feitas as coisas por cá, aos dias que correm, Lucas revelou que tem muita vontade de treinar uma equipa portuguesa no futuro, chegando mesmo a considerar que é a “coisa que mais gostaria de fazer”.

Mais recentemente, o percurso de zander não esteve longe de passar por Rebels – o técnico pretendia ser adjunto de Rui “vts” Soares mas um aconselhamento de Gustavo “neeve” Aroso para arriscar mudou tudo, levando este a optar pela FUT.

“Pouco antes de ir para FUT, tive uma proposta de uma equipa top 20 mundial mas sempre preferi ficar no Brasil”, revelava o português que, demasiado acomodado no cenário, decidiu desafiar-se e tentar dar o salto para a Europa.

A decisão de carreira já estava tomada mesmo antes do técnico ter sequer uma garantia de que seria escolhido pela FUT, saíndo de ELEVATE para trabalhar com o húngaro András “coolio” Fercsák e a antiga academia de Natus Vincere.

vts Rebels

Com um pé na Rebels de vts, neeve encaminhou zander para FUT. (Créditos: roman/Gabriel Lemos)

Apesar de já ter propostas prévias de equipas que considerava melhores do que FUT, fruto da sua ligação a analistas de bons projetos que apreciavam o seu trabalho, a verdade é que esta última revelou-se acertada com uma ligação especial.

“Foi, mais uma vez, uma afirmação (…) Reuniram-se todas as condições para fazer um grande trabalho. Tinha um grande treinador – o coolio é, sem sombra de dúvidas para mim, um treinador no top 5 mundial, os resultados falam por si do nosso trabalho.”

Num curto espaço de tempo, a equipa saltava do top 40 para o top 20 mundial e começava a afirmar-se como uma potência europeia, contando também com talento jovem que, à entrada para 2026, continua a crescer e a ganhar terreno entre a elite.

Desde o ingresso de zander, practicamente um mês após adquirir a NAVI Junior, a FUT encontrou os seus primeiros títulos no Counter-Strike, sagrando-se campeã da Exort Proving Grounds S4, terceira DraculaN e Galaxy Battle // Phase 5.

Embora o português chame a atenção à possibilidade de, por vezes, o resultado final ser mentiroso e não refletir necessariamente o que estás a fazer, este caso era diferente para si, acreditando que era a afirmação de um trabalho bem feito.

Muitas vezes no centro de discórdia, também a discussão atual sobre o verdadeiro impacto de um treinador (e adjunto) não passou ao lado de zander, sendo convidado pela RTP Arena a refletir sobre o assunto e partilhar a sua opinião:

coolio FUT

A sinergia entre coolio e zander deu frutos imediatos na FUT. (Créditos: HLTV/brcho)

VISÃO SOBRE O IMPACTO DOS TREINADORES


“Julgo que… Nunca terás alguém capaz de medir exatamente o que um treinador faz. É impossível. Não conheces a dinâmica da equipa, nem do treinador. Para mim é muito sobre a cultura que a organização oferece ao treinador.

E também a cultura que ele próprio cria dentro da equipa em termos das suas responsabilidades. Acho que depende muito de equipa para equipa e seria muito injusto qualificar quem realmente faz um trabalho muito bom ou não.

Posso falar de quem conheço, por exemplo, do B1ad3. Por tudo o que ouvi na FUT, parece-me que, se não for o melhor, está lá muito perto. É alguém realmente muito focado na parte do Counter-Strike, muita metodologia de jogo.

Mesmo não tendo os nomes mais sonantes comparado a outras equipas, a NAVI acaba por estar sempre sempre ali metida ao barulho e acho que ele tem um dedo fundamental nisso. Um dedo não, uns quatro. Sobre o adjunto, acho uma pergunta muito interessante.

Depende muito da dinâmica que tu tens com o teu treinador. No Brasil, era completamente responsável pelo CS, o treinador também fazia essa parte mas era mais um gestor de grupos e problemas, alguém que olhava mais a tudo e necessita de um conhecimento maior.

Na FUT, já era um pouco diferente. Era uma pessoa ligada às sessões individuais, muitas com os jogadores, tentar fazê-los perceber como podem abordam melhor as suas posições, um trabalho mais de evolução dos jogadores, também bastante ligado à parte teórica e tático de acordo com o que eu e o coolio íamos sentindo que faltava.

Ajudava o coolio, implementava algumas ideias minhas quando sentia que fazia sentido, era um trabalho mais focado no sentido da evolução da equipa, pode-se dizer.

E também da preparação dos jogos, que o coolio fundamentalmente é alguém muito ligado a isso, com quem pude aprender bastante neste aspeto”.

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“O B1ad3, se não for o melhor treinador, está lá muito perto.” (Créditos: ESL)

O CONVITE QUE MUDOU TUDO (100 THIEVES)


Com quatro meses de FUT volvidos, zander sentia-se confortável e já olhava à próxima temporada quando tudo mudou para si. A 27 de dezembro, um convite de Gla1ve, fortemente associado a um projeto futuro de 100 Thieves, assustava o português.

“O gla1ve queria conversar comigo, queria-me conhecer, acho que ouviu algumas coisas que lhe fez pensar que podia ser a pessoa certa para o que ele precisava”, recordava o português que se mostrava receoso sobre a possibilidade de abandonar a FUT, casa na qual já tinha uma conexão muito valiosa com o treinador:

“É muito importante para mim. A química que tinha com o coolio. Entendia-me muito bem e dava-me o espaço que eu precisava para me sentir bem a trabalhar, o sistema que criamos dentro de FUT (…) quando tu consegues atingir esse ponto…

A assimilação dos jogadores é tão natural ao sistema, consegues preparar jogos, mudar detalhes, fazer muitas coisas que te fazem chegar aos resultados que nós tivemos.

O mais difícil de sair foi obviamente a ligação que tinha com o coolio e jogadores, especialmente aos que era mais próximo devido às sessões individuais e trajeto que estávamos a fazer juntos, quer seja na evolução individual de cada um mas também no coletivo.

Mas também, acima de tudo, o trabalho que nós tivemos em desenvolver o sistema da equipa. Isso foi muito difícil de abdicar. E também a dúvida de… de saber se na 100 Thieves eu teria o mesmo impacto que tive na FUT, o que para mim era o mais importante, do ponto de vista de carreira”.

Apesar do medo, o técnico decidiu dar o passo em frente e assumir responsabilidades semelhantes ao lado de gla1ve, um dos fatores decisivos que o levou a aceitar: “Diria que é, talvez, a pessoa com maior conhecimento de CS no cenário. Acho que é justo dizer isto”.

100 Thieves gla1ve

A presença de gla1ve foi decisiva para zander rumar à 100 Thieves. (Créditos: Diana Duarte)

Desde o primeiro momento, Lucas sentiu-se bem recebido e ficou tranquilo ao lado de gla1ve, treinador que percebeu aquilo em que o português podia ser útil à equipa com bastante liberdade concedida para este realizar o seu trabalho com o grupo.

Grato pelos elogios que tem recebido nestes primeiros meses de 100 Thieves, zander recordou que este não é um trabalho só dele mas de todos, da comissão técnica aos jogadores: Nós temos um performance coach (Séns) que, para mim, também é…

Se eu já não sou muito falado, acho que ele então ninguém fala. Mas este rapaz é realmente alguém especial. Mesmo agora na DaculaN, nós estivemos a jogar dois ou três jogos por dia. E eu já ganhei uma DraculaN, então sei bem como é que funciona.

Em que é muito sobre a resiliência mental e a consistência de conseguir tomar boas decisões ao longo do dia. E não propriamente o CS que é jogado”, frisou o luso que também destacou a capacidade de gestão de grupo revelada por Lukas Rossander.

Com uma vertente muito forte na preparação de jogos e ajuda na parte teórica, o dia-a-dia de zander na 100 Thieves também vai sendo feito na base da evolução individual, algo que trouxe consigo de FUT e que é feito com todos por igual:

“Acho que o pessoal tem muito esta visão sobre os três mais novos (ag1L, sirah, poiii), mas não, trabalho por igual com todos, porque lá está, todos estão em um processo de adaptação. É a primeira vez de rain como IGL e dev1ce numa equipa internacional em termos de comunicação.

Acaba por ser um trabalho em que preciso tentar perceber como posso trazer os jogadores para o nosso sistema de jogo”, algo que já tem dado resultado com a ascensão meteórica de 100 Thieves no ranking mundial, estando já à porta do Top 30 do VRS.

Séns, o performance coach de 100 Thieves, trabalhou com gla1ve na ENCE.

Crente em períodos de “lua de mel”, zander não considera que esse é o caso de 100 Thieves, afirmando que a equipa devia até ter regressado da DraculaN como campeã e que este é apenas o começo, focando nos resultados muitos positivos deste arranque. 

Treinador adjunto de gla1ve, é ao lado do veterano dinamarquês que o jovem português vê o seu futuro nos próximos tempos e não pretende abdicar disso por vontade própria, mesmo com convites para orientar outros projetos como head coach.

Com experiência nas duas funções, de treinador principal e adjunto, zander acredita que é nesta última que obtém mais resultados e é o papel que mais gosta de desempenhar, não fechando a porta à possibilidade de voltar a assumir uma equipa.

“Gosto muito de me focar na vertente do jogo, de como o jogo é jogado e como podemos abordar o trabalho individual com os jogadores. Desde CASE até 100 Thieves acho que é notória a evolução dos indivíduos, muito por mérito deles, isso tem que ficar muito claro.

Tive propostas no final do ano para ser treinador principal de equipas bastante boas até, diria que depende muito do projeto mas sim, diria que é possível, tudo é possível.

Depende muito das condições que seriam reunidas para ser treinador principal, sou uma pessoa muito específica nesse sentido mas acho que, pelo menos nos próximos tempos, não vou mudar a minha posição, vou continuar como adjunto”.

A 100% no Counter-Strike, zander não teve sempre o apoio da família na decisão que começou a tomar em 2021, algo que se tornou mais fácil quando chegou a CASE. Se não fosse o CS, é no negócio de família que zander via o seu futuro profissional.

100 Thieves

ag1L atribuiu muito do sucesso inicial da equipa a zander. (Créditos: Diana Duarte)

REFLEXÕES SOBRE O CENÁRIO PORTUGUÊS


Nesta conversa, o técnico fez ainda uma reflexão sobre o estado atual do cenário português com uma opinião contrária à de muitos, deixando ainda dicas para quem quiser seguir as suas pisadas e lançar-se como treinador no mundo do Counter-Strike:

“Quando perdes uma equipa do nível de SAW, que era a única que realmente representava Portugal nos grandes palcos, é sempre uma perda muito grande para o cenário, mas, por acaso, tenho uma opinião bastante diferente da maioria das pessoas sobre o cenário português em si.

A maioria das pessoas tende a pensar que não há qualidade ou que não é possível, discordo completamente disso, até porque trabalho com o ag1L, um jogador que acho que está muito longe ainda de atingir o seu potencial, mas que acho que já é visto para todos o nível que pode atingir e até a mim deixou-me surpreendido o nível que já atingiu em termos individuais, e com as responsabilidades que tem tido, a maneira como tem jogado, mesmo sendo a sua primeira vez internacionalmente. 

Quando me dizem que em Portugal não há por onde se pegue, e até porque já joguei também e conheço alguns jogadores, acho que não é verdade simplesmente. Obviamente não temos uma pool de jogadores tão grande quanto Brasil ou Rússia.

Mas acho que o que falta realmente em Portugal é… Um treinador ou treinadores que realmente queiram aprender sobre o jogo e fazer as coisas de uma maneira correta, ser os gestores da equipa, pessoas que ajudam os jogadores a implementar as suas ideias e a tentar evoluir mais na vertente de como o jogo precisa ser jogado.

Da forma que as coisas são feitas atualmente, aquilo que temos na maioria das equipas portuguesas, querendo ou não, quem manda são os jogadores. quem toma as decisões são os jogadores, os jogadores decidem com quem vão jogar.  Não acredito que as coisas funcionem assim, simplesmente.

SAW

Mesmo sem SAW, zander acredita na qualidade e potencial do CS português. (Créditos: roman/Gabriel Lemos)

Acredito que o CS não é um jogo difícil de se perceber, não acho que seja uma ciência secreta que pouca gente sabe. Toda a gente tem acesso aos mesmos jogos, às mesmas rondas, aos mesmos sites, às mesmas ferramentas.

O que realmente muda de pessoa para pessoa é como tu usas cada coisa e quando a usas. Do pouco que vejo em Portugal, acho que há muita gente a inventar simplesmente, talvez por falta de conhecimento, ou por medo de fugir das suas convicções.

Falta entender o jogador que tens em mão, o que ele faz efetivamente bem, e não tentar moldar as qualidades daquele jogador num sistema de jogo ou ideias que vão de encontro aquilo que ele pode efetivamente fazer com qualidade. 

Acho que a maneira mais fácil de dares os teus primeiros passos é perceberes o que é feito lá fora, como é que as pessoas trabalham, algo que não é muito difícil devido às entrevistas e a muitas outras coisas que tu vais tendo disponível na internet.

E dentro disso, tentares começar a tua carreira devagar, por onde dá. Acho que tive um pouco de sorte de ter começado já numa equipa razoável, devido à conexão que tinha com o JTR, mas mesmo assim o restante do trajeto foi igual ao de todos, e ainda o é.

É de aprendizagem, reflexão e tentar sempre saber mais, evoluir os meus métodos como treinador e acima de tudo entender o que tenho à disposição para trabalhar, por vezes não é tanto sobre o que eu acho que funciona ou acho bom, e sim sobre o que o meu jogador pode efetivamente fazer com qualidade, os seus pontos fortes”.

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