Vice-campeão da Roman Imperium Cup V, Alejandro “mopoz” Cano esteve à conversa com a RTP Arena após a final perdida para HOTU.
Veterano espanhol de 29 anos com muita experiência ao mais alto nível, o jogador da Gentle Mates abordou o jogo do título na SAW Esports Arena bem como o seu crescimento individual, estando a entregar números acima da sua média.
Do apoio e momento que a equipa vive, mopoz olhou ainda às chances da sua equipa estar presente no próximo Major de Counter-Strike 2, o IEM Cologne que é meta assumida e, a ser cumprida, poderá ser catalisador para um Top 10 mundial.
Entre múltiplos agradecimentos, o espanhol destacou ainda o crescimento da Roman Imperium Cup, não tendo dúvidas que o torneio promovido por Ricardo “roman” Oliveira é a melhor oportunidade disponível ao Tier 2 competitivo.
Mopoz, não conseguiram vencer LANs consecutivas mas saem de Gaia com um segundo lugar. Como te sentes?
Neste momento, não muito bem, acabamos de perder há minutos. Ainda assim, julgo que a atitude da equipa tem sido boa e isso é o mais importante para mim quando estamos a jogar, seja qual for o torneio.
Penso que, mesmo que tenhamos acabado de perder para HOTU na final, que a podíamos ter ganho. No final do dia, não importa muito. Temos de nos focar no nosso próximo torneio, o qualificador fechado para a Stake.
A LAN vai ser jogada em Barcelona e é o nosso próximo objetivo, vamos prepará-lo com bootcamp em Paris nas instalações da Gentle Mates.

“Se tivéssemos apresentado o nosso melhor jogo, teríamos ganho o torneio” Fotografia por: ROMAN/Gabriel Lemos
Esta foi uma reedição da final disputada recentemente em Istambul. No veto, estavas à espera de ver Mirage por parte da HOTU? Eles já vos tinham batido duas vezes no Anubis.
Estávamos à espera de ver uma pick de Anubis, mas claro que também sabíamos que Mirage era uma possibilidade. De qualquer das formas, acabamos por preparar o mapa e tinhamos tudo nas nossas mãos.
Julgo que o Mirage, enquanto mapa, é muito difícil para nós em algumas situações, estamos a ir melhorando aos poucos nele. Vamos vencendo uns jogos aqui e ali, apesar de estarmos a perder outros nele.
Independentemente disso, devíamos ter vencido em qualquer um deles, fosse o Mirage ou o Overpass. Se tivéssemos apresentado o nosso melhor jogo, teríamos ganho o torneio.
Depois de um 13-0 no Nuke, o momentum estava do vosso lado à entrada para o decider. O que faltou no Overpass para levarem o troféu?
No Overpass, acho que não estávamos a agir dentro do jogo, só a segurar ângulos e a permitir que conquistassem todo o espaço no mapa. Nessa altura, estávamos com muitas dificuldades e tentamos fazer ajustes nas últimas rondas da metade.
No lado T, tornou-se muito difícil quando não ganhas os pistols, deixa-nos practicamente fora do jogo. Ia ser difícil para nós e acabou por ser assim.
Neste último dia, eram os favoritos do público. Estavas à espera deste tipo de recepção e apoio?
Honestamente, sim. Já que não haviam equipas portuguesas nas finais como vimos anteriormente com o MUTiRiS e a SAW, fiquei com a sensação que iriam torcer por nós e assim foi. Portanto, já era esperado por nós.

Gentle Mates já contava com o apoio do público português. Fotografia por: ROMAN/Gabriel Lemos
Olhando ao individual, para um jogador numa posição de suporte, tens entregado muito com as tuas prestações. O que motivou este crescimento de forma recente?
Penso que está ligado ao fato da equipa estar a jogar bem, quando estamos a jogar bem tudo se torna claro dentro do mapa, fica mesmo fácil movimentar-me e tentar tirar alguma vantagem disso.
Sabemos como as equipas vão reagir, estamos a jogar da forma que fazemos geralmente e tento apenas tirar vantagem disso. Julgo que consigo fazer ainda mais mas não sei, pelo menos a final deste torneio foi muito difícil para mim.
Tenho colegas de equipa muito bom e uma equipa muito boa.
Ainda assim, o balanço foi positivo, estão agora no Top 15 mundial do VRS. Após falharem o último Major por apenas 23 pontos, como vês as vossas chances de estarem em Colónia?
As sensações são boas, claro que queremos estar em Colónia e estamos a lutar por isso mas acho que vai ser muito difícil. Mesmo que estejamos no Top 15 ou 14 agora, não importa muito por causa dos torneios que estão a chegar.
Em março há o BC Game Masters e Stake com muito dinheiro em jogo, vão mexer com tudo e fazer todos trocarem posições. Ainda não sabemos sequer se nos encontramos numa boa posição para chegar ao Major.
Talvez apenas para o ranking de março, receber alguns convites é sempre bom, mas para o Major julgo que será difícil e temos de continuar a trabalhar para esse objetivo.

mopoz vê Gentle Mates como equipa de Top 10. Fotografia por: ROMAN/Gabriel Lemos
O vosso 2026 tem sido muito bom, apuramento para o IEM Rio e duas LANs sólidas. Que patamar é que esta Gentle Mates pode alcançar? Onde vês a tua equipa em dois a três meses?
Se tudo correr como planeado e estivermos no Major de Colónia, julgo que podemos ser uma equipa de Top 10 e continuar a competir parar conquistar mais lugares no ranking.
Por agora, o nosso objetivo principal passar por colocar a Gentle Mates em todos os torneios de Tier 1. Estamos num bom caminho e seguimos concentrados nele.
A nossa meta é chegar ao Major. Se o fizermos, vamos passar o ano inteiro dentro do Top 10.
Esta foi já a tua 4ª participação na Roman Imperium Cup. Que avaliação fazes do circuito e da sua evolução para torneio de tier 2?
Neste momento, a Roman Imperium Cup é o melhor torneio de tier 2. Não importa a quem perguntes, qualquer jogador ou organização que tenha vindo cá jogar vai-te dizer o mesmo.
É o melhor torneio no qual uma equipa de Tier 2 pode competir. Honestamente, sinto-me mesmo bem. Ainda assim, se posso dizer algo sobre a próxima edição, é relativo à alteração de formato nos grupos.
Gostava de me poder expressar melhor* na minha língua nativa mas vou apenas dizer que é uma pena. Para mim, é uma m**** que tenhas de vir cá jogar apenas BO1s porque queres acolher mais equipas e tornar tudo mais rápido.
Julgo que aquilo que já estava em vigor é bom, continuar com o BO1 e depois BO3 nos jogos de qualificação para Playoffs. O formato atual é muito melhor do que aquele que estão a tentar propor ou implementar no próximo torneio.

“Não importa a quem perguntes, qualquer jogador ou organização que tenha vindo cá jogar vai-te dizer o mesmo” Fotografia por: ROMAN/Gabriel Lemos
Obrigado mopoz. Tens algumas palavras finais ou agradecimentos que queiras deixar?
Gostaria de agradecer, em especial, aos meus colegas de equipa e organização, juntamente com todas as pessoas que nos estão a apoiar e que vieram até Portugal. Há muita gente a ajudar-nos a manter a cabeça dentro do jogo.
E claro, ao Roman e à SAW por estarem a fazer este torneio quase todos os meses. É muito difícil, há muito trabalho envolvido para teres este tipo de torneios.
Gostaria que eles soubessem que estou super grato porque estão a esforçar-se ao máximo para continuarem a melhorar em tudo.
*Entrevista conduzida em Inglês
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