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Foto: Master League Portugal/João Carvalho

Antigo jogador de CS:GO e campeão da ESC Online Master League Portugal, vts abraçou em definitivo a carreira de treinador com um desafio internacional.

A RTP Arena foi ao encontro de Rui Soares e esteve à conversa com o atual técnico da GameAgents sobre a experiência que vive neste momento fora de portas, o fim da sua carreira de jogador e o estado atual do cenário nacional entre outros temas.

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Foto: Master League Portugal/João Carvalho

RTP Arena: Neste momento, estás há pouco mais de dois meses à frente do projeto da GameAgents. Como surgiu o convite em primeiro lugar e o que te fez aceitar o mesmo?

vts: Anunciei que estava aberto a propostas, que o meu leque de hipóteses era fora do nível nacional. Achava que tinha potencial para estar no meu primeiro projeto internacional e coloquei no Twitter que tinha umas certas competências para tal. Depois, foi tudo demasiado rápido.

Logo no primeiro dia recebi dois emails, um deles sendo da GameAgents. As negociações e as conversas foram rápidas, acabando por aceitar o convite devido à qualidade da equipa. Um conjunto muito jovem, com muita qualidade individual e o resto tem que vir em acréscimo com aquilo que é trabalhado no servidor.

RTP Arena: Esta é a tua segunda experiência como treinador após orientar a eXploit. Na estreia a nível internacional, sentes que existe uma barreira linguística nos teus trabalhos com a equipa e na transmissão das tuas ideias ao conjunto?

vts: Por acaso, fiquei surpreendido com o nível de inglês apresentado pelos romenos. Não tenho qualquer tipo de problemas em passar as minhas ideias, no entanto, de vez em quando é complicado compreender aquilo que se passa durante as rondas.

Por vezes é preciso eu dar uma pausa para perceber se foi uma falha de comunicação, o que se passou, mas em geral, diria que temos uma comunicação bastante boa. Creio que as pausas são bem dadas, que as conversas são bem conseguidas por isso diria que a barreira linguística não está a ser o maior dos problemas.

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RTP Arena: Sendo a equipa composta por jogadores romenos, é natural que comuniquem na sua língua materna. Como é que percebes o que se está a passar no jogo e fazes uso das pausas para tentar corrigir algo durante o jogo ou introduzir adaptações?

vts: Quando entrei para a equipa, comecei a ouvir a mesma a jogar, a ouvir certos nomes mencionados várias vezes. Começava a perceber como chamavam a certos spots, a certas armas, as posições são similares, dá para perceber o que estão a dizer apesar de, quando é muita informação, fica complicado.

Depois, comecei a perguntar o significado de algumas palavras e a questão dos nomes é que acaba por fazer a diferença, o resto uma pessoa vai conseguindo compreender porque percebe de CS e vai associando as palavras ao que vai acontecendo no servidor. Não consigo perceber na totalidade aquilo que dizem, mas juntar o CS a essas palavras-chave resulta.

RTP Arena: Desde o teu ingresso, a GameAgents cresceu e conseguiu qualificações importantes como o European Development Championship S3 e a Romanian Esports League S3. Que expectativas tens criadas em torno do evento internacional?

vts: Vai ser muito difícil para nós, não vou negar. Acredito que vamos ser capazes de dar uma melhor cara do que aquela que demos nos últimos jogos para a ESEA porque eles são muito jovens e, quando eu aceitei o convite, fiz uma pesquisa e vi que em qualificadores abertos, estão habituados a chegar muito longe e defrontar boas equipas.

Este evento acaba por ser uma motivação extra para qualquer jogador jovem, enfrentar as melhores equipas e foi precisamente isso que pedi – calhou-nos ENCE, SKADE e a DBL PONEY que até tem conseguido bons resultados. Vai ser sempre difícil, mas vamos no jogo a jogo e tentar jogar de igual para igual, apontando sempre ao melhor possível.

RTP Arena: Mencionaste agora a ESEA. Depois de uma caminhada brilhante na fase regular da Main com o 2º lugar, a GameAgents falha um dos seus objetivos, a subida para a Advanced.

Consideras que a troca entre fNk e CHANKY foi um dos fatores que mais influenciou a vossa preparação para os Playoffs?

vts: Fui um dos que se opôs a essa troca precisamente por causa desse fator que mencionaste. Considerei que íamos ter uma preparação mais reduzida e decidi ir contra, mas os jogadores optaram por avançar com isso e não havia muito a fazer.

Quanto aos resultados, houve vários fatores que nos prejudicaram na ESEA, um deles o facto de termos estado praticamente uma semana inteira sem treinar antes de enfrentar a Entropiq. Os jogadores tiveram de ir para Cluj fazer uma sessão fotográfica e ficamos sem treinar.

Avisei na altura que esses dois jogos que íamos ter contra Entropiq e depois PENTA ou 4Glory, tínhamos de ir muito bem preparados porque não nos faltava nada para poder chegar à Advanced por via da árvore superior que era o que pretendíamos.

Não houve treino, quem viu o jogo contra a Entropiq viu que tivemos sete rondas para fechar o jogo e não o conseguimos fazer e eles, logo na primeira oportunidade que tiveram para o fazer, fecharam o último mapa.

No CS isto acontece e, para nós, acho que faltou preparação e também mental no jogo contra a UNITY. Falhamos o objetivo e não há muito mais a dizer, é aguardar pela próxima temporada e tentar novamente.

RTP Arena: No final da temporada passada, anunciaste o fim da carreira de jogador após a tua época mais bem-sucedida onde te sagraste campeão nacional.

Na altura, indicaste a falta de motivação para continuar como o motivo. Queres aprofundar sobre as razões dessa escolha?

vts: Os motivos pelo qual me começou a faltar motivação e, quem me conhece sabe, sempre fui um jogador super motivado para jogar melhor, fazer coisas novas, trazer ideias novas e penso que essa parte nunca me faltou.

Simplesmente, desci muito a nível individual por ter deixado de jogar uns tempos e, quando voltei, sentia que não tinha o mesmo impacto a nível individual: conseguia ajudar a equipa taticamente, mas o facto de não estar a conseguir matar estava a subir-me à cabeça.

Se eu não conseguisse colocar os números que achava serem os meus, achei que se calhar era melhor fazer a transição para treinador e não arrastar as equipas, foi principalmente isso que me fez terminar com a carreira de jogador.

RTP Arena: Pouco tempo após essa decisão, a equipa da qual fazias parte e que escreveu uma página de história acabou – shellzi seguiu para OFFSET, emp retirou-se, whatz e kst foram para eXploit com este último a transferir-se posteriormente para a VELOX.

Sentes pena da forma como o processo foi conduzido e este desfecho?

vts: Claro que tenho pena, o projeto que nós montamos é algo que muito dificilmente alguém vai conseguir fazer nos tempos que correm. Montamos a equipa e, num espaço de dois-três meses, conseguimos ganhar a Master League Portugal.

Não foi uma equipa trabalhada a longo termo, foi algo elaborado num curto espaço de tempo e fomos a primeira equipa a retirar pontos à SAW na MLP, se não estou enganado.

Houve ali vários resultados que atraíram atenção para a nossa equipa, quando ganhamos a MLP ficamos com a sensação de que, se não tivéssemos perdido aquele Train, podíamos ter dado um 3-0 na final e tinha um impacto completamente diferente do 3-2.

Acho que trabalhamos muito bem, sabemos o trabalho que pusemos todos os dias mesmo depois de treinar, estar à noite a ver coisas e a discutir.

Simplesmente, não nos valorizaram da forma que deviam ter valorizado, é claro que houve jogadores a perder a motivação, inclusive o emp que acabou por abandonar porque acha não vale a pena estar a desperdiçar tanto tempo por quantias como aquelas que recebemos em propostas por email.

Respeito o valor que nos tentaram oferecer, mas simplesmente não posso concordar com o mesmo.

RTP Arena: Neste momento, estamos a entrar numa fase importante para vocês na temporada. Quais são os objetivos já traçados para o futuro da GameAgents a nível nacional e internacional?

vts: Quando fui abordado para entrar na equipa, o objetivo internacional traçado era chegar ao Top 50 da HLTV e considero que é algo realista, mas que necessita de bastante tempo. O cenário romeno é muito forte a nível individual, mas, em termos de conhecimento de jogo, é menos desenvolvida do que a nossa.

É preciso tempo, eles quererem aprender mais e não se focarem só na bala, mas sim, o objetivo internacional é estar no Top 50 da HLTV e fazer umas gracinhas em qualificadores. A nível nacional, é claramente ser a melhor equipa romena.

Não vou estar aqui a dizer que é chegar à final disto ou ganhar à Nexus, é literalmente ser a melhor equipa deste cenário porque o potencial para isso está lá.

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Fotografia: Fraglíder/Miguel Pinto

RTP Arena: Em Portugal, ao contrário do que é habitual, temos tido um início de ano com bastantes competições, ainda que algumas sejam internacionais, e tivemos novas equipas a aparecer. Existe alguma em especial que estejas a acompanhar e que te tenha impressionado?

vts: Acompanho sempre o que se vai passando pelo cenário nacional. Fiquei surpreendido com a maneira como a N2E estava a jogar e até comentei isso no Twitter, vi-os fazer coisas que outras equipas que andam aqui há mais tempo não conseguem fazer.

Também pela positiva destaco a Rhyno, mesmo com aquelas trocas em que ficaram sem o Icarus e o story conseguiram manter o nível e surpreenderam-me, mas, a mais marcante para mim foi mesmo a N2E e a maneira como estão a jogar.

RTP Arena: Da temporada passada para esta, tu e o emp terminaram as suas carreiras e são mais dois IGLs que desaparecem das opções para se formar equipas.

Como vês o panorama nacional de IGLs numa altura em que equipas com mais créditos como OFFSET começam a dar oportunidades a jovens como o Snapy?

vts: A oportunidade que é dada ao Snapy é feita com mérito, ele tem potencial para estar na equipa em que está agora.

Em relação aos IGLs, acho que foi uma perda muito grande, tanto eu como o emp, e considero que passamos da temporada mais competitiva em Portugal com a Master League Portugal do ano passado para uma das mais fracas que vamos ter em termos de equipas.

Posso estar enganado a dizer isto, mas já vi outras pessoas também a comentarem isto e a partilhar desta opinião. Temos de esperar para ver, temos muitos jogadores novos a aparecer e provavelmente um ou outro até é IGL, adaptado ou não, mas que consiga levar isso durante alguns anos e que até se possam tornam mais valias na função, o caminho é continuar a gerar novos IGLs.

RTP Arena: Tens algumas palavras finais, pensamentos ou agradecimentos que queiras deixar?

vts: Agradecer sempre a quem me apoia, mesmo depois de ter saído do cenário nacional continuo a receber bastante apoio por parte dos portugueses. Quero mandar um abraço a todos e que me continuem a apoiar.

RTP Arena: Muito obrigado vts pelo tempo despendido para esta entrevista.

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