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Após mais uma semana de sucesso para a equipa dos sAw onde conseguiram a qualificação para a ESL CS:GO Masters 7 e duas vitórias nos playoffs da ESEA Open, estivemos à conversa com Bruno “Marinhas” Marinheiro, manager da equipa, para perceber como é o dia-a-dia dele ao lado do quinteto, um ponto de situação dos playoffs pendentes da WGR LPCS e a mentalidade.

Fala-nos um pouco do teu papel como manager nos sAw.

Marinhas: Essencialmente é tratar de tudo o que a equipa precisa e que não tenha diretamente a ver com o jogo, apesar de ajudar também nesse campo. Por exemplo, a ligação com organizadores de torneio, organização de viagens (que infelizmente está suspenso neste momento)… passa um pouco por isso, tudo o que eles precisarem, normalmente sou eu que trato. Será sempre a tentar dar à equipa aquilo que esta precisa.

Tendo em conta que o papel de manager não é muitas vezes conhecido, fala-nos um pouco de ti e de como chegaste a esta posição.

Marinhas: Eu já tinha uma relação pessoal com os jogadores há muitos anos, e foi um pouco por aí que cheguei lá. Dou-te os exemplos do MUTiRiS e do rmn, já nos conhecemos, jogamos juntos e somos amigos à volta de 10-12 anos, desde o 1.6. E lá está, sempre estive envolvido e perto das equipas que eles foram tendo. Também já conhecia o stadodo antes de ele vir para os sAw, já tínhamos uma relação antes, assim como o AIm. O arki e o JUST foram os únicos que conheci quando vieram para a equipa. No caso do arki foi quando ele chegou aos Giants, visto que eu já era uma pessoa próxima da equipa… por exemplo, apesar de não ter feito parte da equipa, fui com eles à Gamegune, em Bilbao e à Polish Esports League na Polónia. Já o JUST, conheci apenas nos sAw. Eventualmente eles iriam precisar de uma pessoa para esse lugar, para os ajudar com todas as questões necessárias e pensaram em mim, até porque sabem que sou uma pessoa que tem facilidade em fazer tudo isso. Têm esse passado que falei que lhes dá confiança, já nos conhecemos bastante bem e acabou por ser um match perfeito por causa disso.

Como se desenvolve o teu dia-a-dia com a equipa e de que forma estás presente no mesmo?

Marinhas: Num dia de treinos, por exemplo, sobretudo nesta equipa que o meu papel é oficial, tenho visto todos os jogos de treino. Depois, há dias em que é possível fazê-lo e outros nem tanto. Por exemplo, no fim-de-semana passado qualificámo-nos para a ESL Masters Espanha e estive a tratar de assuntos relativos à inscrição da equipa enquanto eles treinavam. Nessas alturas não se podem preocupar com estes assuntos porque seria tempo de treino que perdiam. Trato de vários assuntos, desde inscrições, papeladas, calendários, assim como outros que geralmente são mais rápidos.

Num dia normal, mais calmo, geralmente organizo o treino juntamente com o AIm, definir exatamente o que vamos treinar nesse dia, ajudar a arranjar equipas para treinar, vejo o jogo com eles, se houver alguma coisa de última hora também o faço, há sempre situações que surgem do nada, por exemplo, caso o nosso server de treino normal vá abaixo, acaba por ser o meu papel tentar arranjar uma alternativa.

Vocês são considerados como a melhor equipa portuguesa atualmente por grande parte da comunidade. Sentes que esse estatuto coloca pressão em cima de vocês que eventualmente vos poderá prejudicar?

Marinhas: Não sinto que nos possa vir a prejudicar porque não colocamos essa pressão em cima de nós, eu acho que esse rótulo cabe à comunidade e a analistas darem, e não às equipas. Nós não nos preocupamos com isso, sinceramente. A única preocupação que temos é em tentarmos ser uma melhor equipa do que no dia anterior e melhorarmos todos os aspectos que achamos que devemos melhorar. Basicamente é isso, porque esse rótulo de melhor equipa muito sinceramente não tem qualquer influência no nosso jogo e preparações.

A atual situação do COVID-19 tem afetado os vossos planos de trabalho?

Marinhas: Claro, é óbvio que esta situação está a ser prejudicial para todos os envolvidos e para a sociedade mundial, também não somos excepção, apesar da comunidade gaming conseguir, de certa forma, operar a meio gás, mesmo que os eventos em LAN sejam a essência do CS:GO. Acabamos por ser prejudicados nós e todas as equipas que infelizmente não puderam participar nas finais da LPCS, que iam ser em Penafiel e, caso tivéssemos sucesso nessa fase, na final em Loures. Também haveria outros planos que estavam a ser alinhados com os sAw que neste momento estão pendentes por causa de toda a situação mundial e estamos a aguardar novos desenvolvimentos.

Em relação à LPCS, alguns jogadores já manifestaram o desejo de que estes sejam disputados online. Tendo em conta que não se sabe quando é que as LAN’s poderão regressar, qual a tua opinião em relação a essa possibilidade?

Marinhas: Em relação à situação da LPCS, as organizações e a Inygon estiveram recentemente reunidos devido a esse assunto. Naturalmente que a opinião generalizada é que o torneio fosse jogado em LAN, até porque é a própria essência do mesmo, mas daquilo que me lembro e penso não estar a cometer nenhuma inconfidência, todas as pessoas colocaram a possibilidade de ser jogado online, mas seria sempre uma medida de último recurso após um período de espera que se veria se era, ou não, possível prosseguir com o evento. Na minha opinião, essa situação poderá desvirtuar um pouco a competição, deveria ser jogado em LAN como estava planeado, só que lá está, também temos de ter em conta toda a situação, não só nacional, mas mundial. Portanto, é óbvio que ficamos tristes por não podermos jogar em LAN, que é o que gostamos e queremos fazer, mas temos também de entender e aceitar a situação.

Os jogadores têm sido informados sobre novas datas?

Marinhas: Eu acho que nesse momento ainda não está decidido, as organizações deram as suas opiniões à Inygon, houve algumas conversas preliminares em relação a datas, mas não me sinto confortável falar disso, até porque se a organização da competição ainda não anunciou nada é porque não quer, e portanto haverá alguma razão para isso, de forma a que não quero passar por cima de ninguém. No timing deles hão-de anunciar aquilo que foi discutido.

Devido a toda a relação que os sAw tem com a equipa dos Giants, achas que vocês sentem alguma pressão extra para vencer os eventuais confrontos que terão entre vocês?

Marinhas: Sinceramente, o nosso objetivo é sempre ganhar, independentemente de quem for, portanto para nós é igual quem são os 5 jogadores do outro lado, não interessa se está o A, o B, o C ou o D. Como te disse à pouco, a nossa preocupação é sempre ser melhor equipa do que no último treino e/ou jogo, estar sempre a melhorar e evoluir. Estarmos a jogar com os Giants, com os OFFSET, com os Baecon ou com quem quer que seja, é igual para nós. Entramos sempre no servidor para vencer. Não sinto que isso traga alguma pressão acrescida, ou alguma animosidade em especial, nada do género… nós queremos é ganhar, preocuparmo-nos com a nossa equipa e com a nossa vida e não com o que os outros fazem e/ou querem fazer.

Para terminar, queres deixar alguma mensagem à comunidade?

Marinhas: A única coisa que lhes peço neste momento, até porque há coisas mais importantes que o gaming, é sobretudo que sejam responsáveis, não só por eles, mas pelos outros também, porque é um momento muito difícil para todos e não apenas para algumas pessoas. Não é difícil apenas para as pessoas mais velhas, como se costuma dizer, que só afeta os mais velhos… não é bem assim, as pessoas têm de ser responsáveis, tomar as devidas precauções e têm de tentar ao máximo possível precaver-se a eles e às pessoas que os rodeiam.

Relativamente ao gaming, a única coisa que pedia era que continuassem a apoiar todas as equipas portuguesas, sem excepção, em todos os eventos, principalmente nos internacionais. Nos nacionais, apoiem as vossas equipas preferidas! Óbvio que não vou estar a dizer que prefiro que apoiem as outras e não a nossa, se puderem apoiar os sAw, claro que agradeço (risos), mas também entendo que haverá sempre alguém que não gosta de nós. Eu costumo dizer, faças o que tu fizeres, as pessoas vão sempre falar bem ou mal. Tu não podes mudar a tua maneira de ser ou de estar por causa do que as pessoas dizem ou fazem, tens de te manter sempre coerente. Se o fizeres, só tens de estar na paz de alma, digamos assim, e não tens de estar preocupado com o que as pessoas dizem ou pensam sobre ti, isso é o pior e é deixar as pessoas entrar na tua cabeça e, sem que te apercebas, tomam decisões por ti.

Aquilo que, sinceramente, mais me agrada nesta equipa, e até o referi no Twitter após a vitória com os S2V, é a mentalidade. Eu não quero dizer que a mentalidade das outras equipas está errada, ou está a trabalhar mal, nada disso, eu falo da minha equipa e os outros são os outros. Eu nunca vi uma equipa portuguesa, até aquelas que tive oportunidade de conhecer melhor, que tenham uma mentalidade tão forte e tão resiliente como esta – uma equipa que está a perder 4-14 na própria pick e ainda consegue vencer o jogo 16-14… é preciso ter uma força de vontade, união e uma mentalidade muito forte. O que se passou ali não foi só talento, quando estás a perder daquela forma e acabas por ganhar, é muito mais do que apenas dar heads, é muito mais do que acertar o spam ou dar boas calls. Vai muito ao psicológico, à questão da confiança. 

E, com isto, uma mensagem que gostava de passar à comunidade é que vivam a vossa vida assim, façam o vosso jogo, vivam a vossa equipa, ou se não tiverem uma procurem se quiserem, e sobretudo façam aquilo que vocês entendam ser o correto!

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