Estudo científico analisa a Depressão Pós-Jogo (PGD), o fenómeno de vazio emocional sentido após concluir videojogos narrativos e imersivos.
Uma investigação publicada na revista científica Current Psychology formalizou o fenómeno da Post-Game Depression (PGD), ou Depressão Pós-Jogo, definindo-o como um estado de melancolia, desorientação e perda de propósito que sucede à conclusão de videojogos com forte densidade narrativa.
Ao contrário da depressão clínica, a PGD é descrita pelos investigadores como um processo de luto simbólico transitório, desencadeado pela cessação abrupta de um estímulo imersivo prolongado.
O estudo identifica três preditores psicológicos fundamentais para a intensidade deste estado:
- Transporte Narrativo: Refere-se à migração mental do jogador para o universo ficcional. Quando a narrativa exige um elevado investimento cognitivo e emocional, o regresso à realidade é experienciado como um choque, resultando numa sensação de “vazio” existencial.
- Interações Parassociais: O desenvolvimento de ligações unilaterais com personagens (NPCs). O cérebro humano processa o fim da interação com estes avatares como a perda real de um círculo social, ativando mecanismos de resposta ao luto.
- Identificação e Agência: Jogadores que fundem a sua identidade com o protagonista ou que encontram um sentido de competência elevado no jogo sofrem uma quebra na autoestima e na motivação ao perderem o controlo sobre esse ambiente.

Créditos: Warner Bros.
A investigação destaca que RPGs e títulos de mundo aberto são os principais catalisadores da PGD devido ao volume de tempo investido e à complexidade das escolhas narrativas.
O estudo conclui que, embora não seja uma patologia permanente, a PGD reflete a capacidade dos videojogos modernos de gerar significado profundo e laços emocionais que rivalizam com experiências da vida real.
Para esta publicação foram conduzidos 2 estudos entre 373 cidadãos que aceitaram participar. O estudo foi publicado no passado dia 26 de janeiro de 2026.
Podes saber muito mais sobre este estudo através da publicação no Springer Nature Link.