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Fotografia: dead | Facebook

Ricardo “dead” Sinigaglia ficou conhecido por estar atrás das grandes equipas brasileiras como Luminosity,  SK e MIBR – treinou “FalleN” e “coldzera”. Em entrevista à Dust2.br, o agora diretor de operações da 00Nation falou sobre o futuro no CS e o ban que o afastou.

Depois de muito tempo ligado diretamente às equipas, tendo mesmo treinado a MIBR até ter sido suspenso devido à alegada exploração do coach bug, “dead” está agora ligado às operações da organização 00Nation – onde militam “coldzera” e “TACO” – no Brasil e na América do Norte.

Anteriormente na GODSENT, Ricardo Sinigaglia explica que a saída para a 00Nation se deveu a questões relacionadas com a estrutura e até termos financeiros. “Saímos da GODSENT e o valor de mercado estava seis vezes maior do que o que a gente encontrou, é uma coisa que me orgulho”, referiu.

Os objetivos para a equipa de CS:GO

Relativamente à recém formada equipa da 00Nation, o antigo treinador de MIBR assume que o objetivo passa por ter “TACO” e “coldzera” por mais dois ou três anos e manter o core jovem composto por “try“, “latto” e “dumau“.

A equipa jogará os qualificadores e, caso lá chegue, o RMR de acesso ao Major do Rio na América do Sul porque “em 2023 vamos fazer uma mudança e ficar no Brasil durante o tempo que passaríamos no México, jogando os qualificadores da ESL pelo Brasil em detrimento da América do Norte”.

A 00Nation conta atualmente com duas bases na Europa, uma na Noruega e outra em Portugal, onde irá concentrar-se cada vez mais. A ideia passa apenas por ficar no Brasil nas alturas em que o conjunto se deslocaria para a América do Norte – em causa está a deterioração do cenário norte-americano.

Conseguir o acesso ao Major é o principal objetivo da equipa. Para “dead” é vital conseguir o “lucro dos stickers” e chegar ao “Major do Brasil. Não sabemos se vai haver outro, então esta é a melhor oportunidade”.

As cláusulas de rescisão e o futuro dos contratos

As recentes transferências milionárias no meio do Counter-Strike levaram “dead” a afirmar que “nenhuma das partes está errada. Se o venderam, alguém o comprou, é o melhor dos dois mundos para as duas organizações”.

Relativamente aos valores envolvidos nas recentes transferências, especialmente a de “Lucaozy” da Sharks para o Fluxo, Ricardo afirma que “o ‘felps‘ não pode ser 1/4 do ‘Lucaozy‘, em mundo nenhum isto acontece. Mas foi como disse, tem quem pague, então é assim. Se não foi um problema para eles, ótimo. O maior medo é desregular o mercado, eu passei por isso quando tentamos contratar o ‘yuurih‘ e o ‘kscerato‘”.

O ex-MIBR lembra que pagou $140,000 por “tarik“, na altura campeão de Major, e que os $200,000 pedidos pela dupla anteriormente referida eram um exagero.

dead” afirma mesmo que isto pode desencadear um efeito cascata e leva a que outros jogadores, como o caso de “chelo“, vejam os seus preços serem inflacionados pelas organizações.

“Eu não vejo os cinco melhores brasileiros a juntarem-se e a conseguirem uma equipa a Top 5 no Mundo, muito por conta dessas cláusulas”, referiu.

A solução, segundo o diretor de operações da 00Nation, passa pelos jogadores tomarem a decisão no momento da assinatura do contrato: “Depende muito de onde ele – jogador – se vê daqui a dois ou três anos”.

Grandes lucros? Só no CS

“Hoje, de todos os desportos eletrónicos, o CS é o único que te permite conseguir dinheiro. Principalmente por causa das casas de apostas”, começou por dizer.

Também o mercado de stickers no Major ajuda as organizações a montarem e manterem as equipas: “Na MIBR, éramos a equipa que mais vendia stickers, $320,000 por Major. Hoje em dia falamos em $750,000 a $1,2 milhões”, assumiu.

O futuro do CS no Brasil e uma nova liga

Ricardo Sinigaglia aponta à criação de uma grande liga no Brasil, que seria o último campeonato de cada temporada. “O que tentaremos fazer para 2023 é uma liga com as maiores equipas brasileiras, dando oportunidade a todos. Já que as equipas estão todas a vida para o Brasil, queremos uma Taça Libertadores, um evento com as equipas brasileiras, argentinas (…).

“O nosso intuito como organização hoje é essa conexão com o público que nunca fomos capazes de ter, pois estávamos sempre à distância. Vamos tentar essa mudança. Não sei se vai dar certou ou se será possível, mas estamos dispostos a tentar”, explicou sobre a possibilidade de um bom torneio na América do Sul com as equipas ‘da casa’.

Superequipa brasileira?

“Eu preferia ter a melhor equipa do Mundo. Naquela altura toda a gente acreditava que a melhor equipa brasileira era a SK. Hoje em dia não temos uma equipa brasileira assim, todos acham possível lá chegar”.

Para “dead” é difícil formar uma superequipa, muito devido aos elevados preços dos jogadores e até porque os próprios profissionais brasileiros assim não o querem.

Sobre se era possível uma superequipa brasileira dominar o Mundo do CS, o experiente manager admitiu que está mais difícil: “Não temos o ‘FalleN‘ a Top 3 do Mundo, o ‘coldzera‘ a Top 1, o ‘fer‘ a Top 1 (…) Não temos cinco jogadores no Top do Mundo”.

O coach bug e as contas finais

Entre a abordagem ao banimento por utilização do coach bug – “não ia admitir nada porque não fiz nada” -, “dead” lembrou que, no final de contas, “como pessoa ganhei mais. Perdi mais dinheiro”. “No fim do dia é isso que fica, as pessoas. O resto vai passar, a amizade fica”.

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