FIFA FIFPRO

A altura pela qual muitos fãs de futebol anseiam chegou e a RTP Arena teve a oportunidade de experimentar o FIFA 22 para partilhar as suas primeiras impressões.

27 de setembro, o início de um novo ano para milhões de utilizadores com a edição Ultimate no mais popular simulador futebolístico do planeta, bastante aguardado por ser o 1º desenvolvido completamente para “Next Gen”.

O nosso pontapé de saída foi dado a 20 de setembro e, ao longo de uma semana, estivemos a jogar o título da EA SPORTS FIFA com especial foco na jogabilidade do mesmo, o modo Ultimate Team e as diferenças entre PS4 e PS5.

FIFA

A EA foge, com grande margem, à fórmula dos últimos anos. Será suficiente para ganhar votos?


JOGABILIDADE (GERAL E PS4 VS PS5)

O ponto mais importante em qualquer título e aguardado em qualquer edição, um dos poucos com capacidade para carregar ou sentenciar o jogo por completo, promete voltar a dividir opiniões com o lançamento oficial do FIFA 22.

Precisamente por isso, vimos a EA estar especialmente atenta às queixas que se lhe foram apresentadas e tentar lançar um produto final bem distinto com o HyperMotion. A questão que se segue é: “Será que o conseguiram fazer com sucesso?”

A verdade indubitável é que o FIFA 21 e o 22 são completamente diferentes, como do dia para a noite. Portanto, a ideia de que esta jogabilidade é idêntica à anterior pode ser, desde já, descartada. Agora, terá a mudança sido feita para melhor?

Responder a essa pergunta não é fácil e depende muito do gosto dos jogadores: uns vão louvar esta edição como uma das melhores da última década enquanto outros vão passar por grandes dificuldades de adaptação, podendo até rejeitar o jogo.

Como não se pode agradar a gregos e a troianos, vou simplesmente dizer que me encontro no 2º lote mas que isso não me impediu de disfrutar do jogo. Afinal de contas, parte do desafio a cada edição nova passa pelo processo de aprendizagem.

Fã da “gingada” popularizada por jogadores como Gouvy e Tekkz, confesso que o choque foi real para mim nas primeiras partidas quando me apercebi que a maioria dos movimentos técnicos já não era “viável”, perdendo muita da sua eficácia.

O novo ritmo do jogo contribuiu bastante para esta mudança drástica nas fintas, impondo uma jogabilidade mais lenta e com foco noutras mecânicas. Acima de tudo, a proposta feita pela EA para o FIFA 22 com o “Hypermotion” é realismo.

Faz sentido quando nos recordamos que esta tecnologia foi desenvolvida com base na captura, em tempo real, de todos os elementos numa partida de futebol 11vs11, resultando em movimentações diferentes e mais de 4.000 novas animações.

As táticas personalizadas não foram esquecidas nesta edição e trazem novamente os sliders.

Mais realismo, mais diversão? Estes dois conceitos não andam propriamente de mãos dadas e com razão, muitas vezes a realidade é simplesmente aborrecida para nós. Ainda assim, existe muito coisa boa (e má) para retirar desta experiência.

Passar do Arcade que a categorizou nos últimos anos para o Futebol Real – que é apontado por diversas vezes como o fator que conduziu ao declínio do seu maior rival na luta dos simuladores futebolísticos – é um verdadeiro salto de fé para a EA.

Nesta jogabilidade introduzida, os passes estão muito mais refinados e são o foco para a criação de oportunidades, premiando os jogadores que conseguem impôr uma boa troca de bola e criar espaço com desmarcações, pelo menos em teoria.

Isto verifica-se na maioria dos casos, no entanto um FIFA não seria verdadeiramente um FIFA sem problemas de equilíbrio em algumas mecânicas – os infâmes “Finesse Shots” do FIFA 19 dizem olá e estão de volta e com mais preponderância.

Olhando à meta dos anos anteriores (autocarros literalmente estacionados à frente da baliza), o seu regresso até não é mau de todo no que diz respeito à criação de alternativas de finalização para os jogadores, no entanto necessita de uns ajustes.

“Uma maldição e uma benção”, é o que melhor descreve o remate no seu estado atual. Tanto nos permite castigar um adversário bastante defensivo como, num lance aparentamente controlado, podemos sofrer um daqueles golos que nos deixa perplexos.

Estes “Finesse Shots” acabam, no entanto, por ser bem necessários atualmente face à ameaça que são os guarda-redes. Considerados como muito maus no passado, os mesmos foram reprogramados e o problema acabou por ir do 8 ao 80 na escala.

No lugar dos habituais “cones”, a EA ergueu autênticas muralhas que não vão abaixo de qualquer forma: mestres da saída e da mancha no tiro à “queima-roupa”, encarar estes oponentes e os seus reflexos no 1vs1 pode ser uma autêntica dor de cabeça.

Situações claras de finalização muitas vezes resultam em defesas “impossíveis” e geram alguma frustração, no entanto o reverso também se verifica naturalmente e acabamos, muitas vezes, por ser salvos em lances que já dávamos como perdidos.

Os mesmos não estão isentos de erro e ainda existem alguns golos caricatos ou situações onde o guarda-redes acaba por ser “mal batido”, acontecendo com uma periodicidade bem menor e mais associada a remates realizados fora da área.

Adicionalmente, uma das mexidas mais satisfatórias até agora e que necessita de menção são os duelos áereos e os cabeceamentos no geral – divertidos e balanceados, trazem novamente viabilidade aos cruzamentos para a área e bolas paradas.

Por fim, para todos aqueles que possuem uma PS4 e desesperam por uma PS5 para jogar o novo FIFA, existem boas notícias. A diferença entre os jogos, para além dos gráficos, Hypermotion e outros exclusivos menores, acaba por não ser tão grande.

No que concerne a jogabilidade, a edição conta com a maioria das novidades introduzidas (Guarda-redes redesenhados, etc) e possui uma base muito semelhante à edição de nova geração: ritmo mais lento, passes melhorados e finesse shots em força.

O que distingue ambas acaba por ser o que me faz preferir, neste momento, a edição PS4 – um jogo ligeiramente mais rápido, uma espécie de meio-termo que permite uma adaptação menos agressiva. Ainda assim, planeio jogar ambas ao longo do ano.

A versão PS4 foi usada, maioritariamente, para jogar partidas CO-OP com amigos que ainda não estão na nova geração e, honestamente, foi a maior diversão que tive no jogo até agora: o 2vs2 continua a ser aposta da EA e sou completamente a favor.

Por agora, e apesar de não ser o jogo mais indicado para quem ama fintas e samba, o FIFA 22 parece bem promissor e menos “pesado” como um todo: resta saber como as famosas e inevitáveis atualizações irão afetar o rumo do mesmo doravante.


ULTIMATE TEAM (FORMATO E CONTEÚDO)

O Ultimate Team foi renovado, quase por completo, para esta edição e não faltam novidades para explorar. O modo mais popular e rentável da EA pouco mexeu nos menus, focando-se no conteúdo e nos novos formatos do Division Rivals e FUT Champions.

O arranque no mesmo é em tudo idêntico aos seus antecessores – depois do tutorial onde recebem os primeiros jogadores e itens de clube, os utilizadores recebem pacotes de lealdade (caso sejam elegíveis) e partem para os clássicos SBCs inaugurais.

Existem inúmeros objetivos para completar (cada um com um presente associado) no caminho para criarem a sua equipa de sonho, no entanto o mais interessante acaba por ser a introdução de temporadas, as novas recompensas e o competitivo em geral.

A EA tornou-se mais generosa no que diz respeito aos pacotes presentes no Squad Battles e no FUT Draft (apesar de não ter alterado os modos), implementando também alterações que visam melhorar a experiência dos jogadores mais casuais.

Apesar de ainda não ser possível participar na prova, o FUT Champions deixou de ser uma prova de “fim-de-semana” e, para além de reduzir os seus jogos de 30 para 20, distribuiu os mesmos em duas etapas distintas, jogadas ao longo da semana.

Os Play-Offs e as finais (estas jogadas no fim-de-semana), possuem dois conjuntos de recompensas distintos e um sistema diferente, baseado em pontos (uma vitória equivale a 4 pontos, derrota a 1) que definem posteriormente o rank de um jogador.

O FUT Champions foi redesenhado com Playoffs e finais.

Uma diferença enorme nesta edição passou pelo desaparecimentos dos jogos de colocação no “Rivals” e as moedas associadas a cada subida de divisão, causando um impacto maior no arranque relativamente ao que tivemos em vigor no FIFA 21.

No seu lugar, uma nova estrutura onde todos começam na divisão 10 vê as colocações de rank com base na atividade da divisão desaparecerem – 7 vitórias numa semana garantem a melhor recompensa no rank e divisão em que o jogador se encontra.

Com checkpoints distribuídos para guardar progresso rumo à divisão de Elite (situada após a D1 e com sistema de elo), o Rivals leva um reset a cada época (+- 50 dias), distribuíndo recompensas de atividade adicionais e fazendo todos retroceder divisões.

A nova progressão em vigor no Division Rivals.

Neste momento, a tradicional promo dos OTW (Jogadores a Observar) é o que se segue a nível de conteúdo para arrancar o FIFA 22, havendo ainda os novos FUT Heroes e a confirmação dos “ICON Swaps”, “ICON SBCs” e “Pré-Visualização de Packs”.

No geral, o Ultimate Team parece mais conseguido e balanceado para fornecer, tanto aos jogadores mais casuais como aos mais dedicados, formas de se entreterem e sentirem premiados pelo tempo investido no modo com estas alterações.


NOVIDADES (CARREIRA, PRO CLUBS, VOLTA)

Com algum desagrado criado ao longo dos últimos anos junto das comunidades do Modo Carreira e Pro Clubs pelas poucas alterações feitas nos mesmos, a época de 2021/2022 é de tréguas e com bastante atenção direcionada a ambos.

Vários dos pedidos efetuados pelos jogadores da saga ao longo do tempo foram finalmente respondidos e, pelo menos no primeiro modo mencionado acima, esta edição promete ser uma das melhores dos últimos anos no jogo.

Num regresso muito aguardado, a opção de “Criar um Clube” está de volta com várias escolhas à disposição para personalizar, desde o símbolo aos equipamentos e estádio, podendo escolher a liga e substituir um dos clubes presentes.

Também os orçamentos iniciais, expectativas da direção, idade média do plantel e a sua qualidade geral podem ser personalizados. A nível de imersão, as novas “cutscenes” dão um novo ar e vida ao modo, tanto em treinador como jogador.

Para além das emoções de marcar um golo no último minuto, ver os adeptos a entrar no estádio ou reunir com a equipa no balneário após a partida, também as histórias adicionadas sobre marcos atingidos dão outro toque à experiência.

A maior diferença dentro das carreiras chega mesmo com a de jogador, partilhando das novas “cutscenes” enquanto introduz outras próprias dedicadas para brilhar, trazendo consigo uma progressão mais natural e realista na carreira criada.

Com a possibilidade de começar no banco e entrar nos últimos minutos para tentar ganhar espaço dentro da equipa, um novo sistema de experiência permite desenvolver o jogador com os treinos e partidas, desbloqueando novas habilidades.

Neste aspecto, a EA tirou uma página de jogos como o NBA 2K que já possuem um sistema de “Archetypes e Perks” há muitos anos, adaptando o mesmo à sua realidade e abrindo portas a uma personagem mais única dentro das quatro linhas.

Juntando a estes elementos a introdução de um rating de confiança do treinador e objetivos distintos em cada jogo (com base na posição, qualidade e formação da equipa vs adversário), argumentos não faltam para dar uma oportunidade ao modo.

FIFA 22 Perks

Os novos perks presentes na Carreira de Jogador e Pro Clubs.

A maioria das novidades que foram introduzidas nas 2 modalidades do “Modo Carreira” acabaram por chegar também ao Pro Clubs, modo jogado em 11vs11 que passará a contar com os “Archetypes e Perks” e a customização de equipa.

O primeiro adiciona uma nova camada dentro da jogabilidade e torna mais interessante ver as composições diferentes que as equipas apresentam, já o segundo era um dos pedidos da comunidade para tornar os seus clubes mais personalizados.

Não menos importante que os restantes, o VOLTA (modo introduzido no FIFA 20 e inspirado no futebol de rua) regressa com um foco diferente, deixando de lado os profissionais, celebridades e posições para dar espaço e liberdade aos avatars.

A personagem criada pelos jogadores ganha outro destaque e chega já pronta a jogar com a sua própria árvore de habilidades, novos movimentos técnicos, um medidor de habilidades (como nos FIFA Street) e uma de três “Signature Ability”.

Entre todas as novidades apresentadas, a que mais me cativou foi mesmo o VOLTA Arcade, um modo que se pode tornar bem divertido com a junção de outro 3 amigos para participar em mini-jogos como o jogo do mata, jogo da parede, etc.


VEREDICTO FINAL

Enquanto simulador futebolístico, o FIFA 22 atual é, sem dúvida, um jogo digno de pertencer a essa categoria. É certo que existem alguns problemas e o verdadeiro teste ao seu futuro irá chegar com as primeiras atualizações da EA SPORTS.

Com lançamento mundial apontado para o dia 1 de outubro e já disponível para todos os utilizadores Ultimate desde esta segunda-feira, o título não parece uma “cópia barata” dos seus antecessores e não teve medo de arriscar numa fórmula diferente.

É certo que o jogo não irá agradar a todos naquela que é uma das comunidades mais vocais sobre tudo o que está “errado”, no entanto sou da opinião que, entre os modos offline e online, o mesmo consegue oferecer uma experiência sólida ao consumidor.

No meio de tantas possibilidades, existe certamente uma que irá satisfazer o fã de futebol que procura um título fiel ao desporto. O FIFA nunca será perfeito nem necessita de o ser, desde que não perca o rumo original e entre em inúmeras atualizações.

Com base na experiência que obtive através de uma semana de jogo, o FIFA 22 leva um 7.0 numa escala de 10. O título estará disponível nas plataformas PlayStation 5, Xbox Series X/S, Google Stadia, PlayStation 4, Xbox One e PC (Steam/Origen).

Jogo testado por: Hugo “kazac” Pereira.

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