Boas pessoal. Mais uma semana se passou e quero desde já pedir desculpa a alguns pedidos de temas que considero importantes, e o facto de os ainda não ter abordado. Agradeço também a quem tem respeitado este espaço e as respetivas críticas construtivas demonstrando a boa formação dessas mesmas pessoas, um bem hajam. 
Antes de passar ao tema que pretendo abordar, quero enaltecer a iniciativa da divisão de desportos eletrónicos da Federação Portuguesa de Futebol que agendou e muito bem uma reunião com diversos lideres de organizações de forma a obter feedback, mostrar o seu plano futuro. Assim demonstrou o que é na realidade uma estrutura profissional e a forma como os agentes do mercado devem e têm de ser tratados. Com o plano apresentado e todas as sugestões dadas, de certo que os projetos da FPF serão um sucesso. Com todos, para todos e por todos, pois só assim deve ser.
carneiro
O tema desta semana é destes sobre estes animais muito simpáticos que se podem visualizar na imagem supra… ou não! É uma mera alegoria… corriqueiramente em Portugal costuma-se dizer “onde vai um português, vão dois ou três” e também “por vezes tanto se conta uma mentira que passa a ser verdade”. Ora estas duas situações são graves em determinados aspetos, o desconhecimento e desinformação da comunidade na sua generalidade levam a criação de ideologias e posicionamentos errados. 
Ao longo dos últimos meses e até mesmo anos, poucas não foram as vezes que ideias se formaram sobre pessoas, eventos, clubes e até mesmo aqui da RTP Arena. Ideias essas formadas e passadas de boca em boca que, em boas verdade, muitas vezes não vão ao encontro da realidade.  
Em todos os eventos, sem excepção, e atenção que eu estou presente em quase todos os eventos de esports em Portugal, há sempre alguém que me coloca X ou Y questões sobre diversas matérias e consecutivamente, após me ouvirem em conformidade, 99,9% dos casos a resposta é “ah não fazia a mínima ideia”, “ah não foi isso que me disseram”, “ah não foi isso que tinha entendido”. 
Isto fez-me e por vezes faz-me recordar um termo que o meu pai utilizava sobre “modas”, algo como… “alguém mete isto na cabeça de alguém e a carneirada vai toda atrás”. Quer isto dizer que, em diversas situações o público na sua generalidade não procura informação, mas sim, compra ideias formadas/formalizadas/inventadas/rebuscadas. Compreendo que seja mais fácil ouvir da boca de X ou Y durante 2 minutos uma qualquer versão do que ir à procura, ler ou procurar apurar a verdade material. Esta tendência deve mudar…  
Pessoas “fora” da scene, já me comentaram X sobre Y clube, H sobre Z evento e K sobre a RTP Arena. O que é certo é que a maioria estava toda… errada… ou se não errada com versões totalmente deturpadas. 
Onde está o erro? Na minha opinião, e visto isto ser um artigo de opinião, os erros principais centram-se em: 
– polos de informação: a informação não se encontra devidamente redigida, explícita levando a lacunas e à desinformação; 
– posições de hierarquia: os dirigentes, organizadores, jornalistas, etc. devem adotar por primar em dar as melhores linhas de orientação ao seu “público”. Diversas vezes, e penso que 100% dos clubes já passou por isto, em como “ah pois os X são isto aquilo e o outro”… e depois quando, e dando aqui o exemplo da FTW, cá chegam o comentário é “mas o que X disse afinal não tem nada a ver”. Ou seja… ninguém ganha com este tipo de “especulação”, pois que, quem fica “mal” no papel é o primeiro locutor; 
– comunidade: deverá ser mais interventiva, mais participativa e procurar mais a informação por si, ao invés, de apenas “comprar” o que lhes é vendido. Uma coisa é certa, contra factos não há argumentos e aí só na pura teimosia se não vê a realidade, não obstante essa excepção, a comunidade deve formar os seus próprios juízos de valor, mas com o “todo” da informação e não apenas a parcialidade. 
Ainda outra moda “tuga”, X faz Y comentário e vem a… manada botar “like” e o “upvote”, em que quando se verifica é o amigo do amigo, mais do amigo do que fez o pedido mais o pedido do amigo com a namorado do amigo que colabora com o amigo. Em suma, uma guerra de “likes” num comentário despropositado/mentiroso/irreal, é igual a que todos quanto aí se manifestam sejam cúmplices e que ganham com isso? Um mero ego virtual que em nada muda a verdade material.  
Todas estas “manifestações” já levaram jogadores a deixar a “scene”, marcas a deixar a “scene”, organizações a deixar… a “scene”, pessoal competente a deixar a “scene” e pior ainda… o afastamento da comunidade “gamer” nacional por olhar para tanto “circo” que não têm o mínimo de interesse. 
Aspetos em que deveria haver a “carneirada”, acabamos por não os ver. A título de exemplo na página da FTW já fizemos um “teste social”, com, um post “positivo” seguido de um post “negativo”. O post negativo era sobre contas banidas, e teve chuva de likes e shares, o post positivo… bom… como devem calcular que teve efeito inverso. É uma tendência que a “sociedade” deve contrariar. Tudo bem que estamos habituados a ser “spammados” com notícias de desgraças no Facebook dos nossos excelsos jornais nacionais e que a malta vai para lá dar a sua de “keyboard warrior”, porém, nós “gamers” devemos não seguir a… “carneirada”, mas sim termos uma postura oposta a essa mesma. 
Outro ponto e este quase apelo: nas comunidades em geral os jogadores falam-se e até se dão relativamente bem, porém é raro eu ver “likes” cruzados, ou seja, jogador da equipa H dá entrevista a uma entidade, mas os seus “amigos”, mas adversários em clube não colocam “like”, mas lêem, e comentam, e mandam postas pescada no Twitter, ou congratulam de outras formas… O que perdem a interagir? Nada… Se gostaram da entrevista, ação, vídeo o que seja, ninguém perde por essa interação. Vejam o que sucede aqui na vizinha Espanha em que têm precisamente essa interação “cruzada”. Se é um dever? Não, não acho que seja. Obrigação? De longe. Demarcarem-se pela diferença e não serem como a “carneirada”? Sem dúvida.  
Se alguém nos dias de hoje pensa que afeta grandes instituições, sendo um “ no name “, com um comentário absurdo e chuva de likes nele (tendo feito o pedido à “carneirada”), desengane-se. Conforme acima foi identificado, apenas ganha o seu “ego”, mas que por ali fica e que em nada beneficia ninguém, aliás, demonstrando apenas a degradação societária.  
Para finalizar. Nos últimos tempos houve posts de jogadores, equipas, CEO’s etc. Com alguns “conferenciei” e ninguém fica satisfeito em trazer certos temas para a “praça pública”. Muitas das vezes a malta considera um “eyaaaaa finalmente disse aquilo”, mas, e por aqueles com quem conferenciei, e não vou estar a referir nomes nem entidades, ninguém fica satisfeito com esse tipo de situações. É um “lavar” de roupa suja em que se perde mais do que se ganha, pois que não se centra numa mera exposição de factos para apuramento de uma verdade material qualquer, mas sim, e também, o desagrado de X ou Y com H ou Z, refletindo assim fraturas e debilidade no nosso mercado. Se as pessoas devem ficar caladas? Não de todo, nem ninguém está a dizer isso, estou sim a ressalvar que é algo (e falo apenas por aqueles com quem conferenciei) que não agrada, pois para tal “exposição” é porque se ultrapassaram todos os limites e barreiras possíveis ou admissíveis.  
Caríssimos/as por esta semana é tudo, espero ver uma comunidade mais informada, mais unida, mais participante em streams, páginas de Facebook, Twitter, eventos e etc. pois isso é que traz mais valor ao mercado, mais crescimento ao mercado e eleva o estatuto dos desportos eletrónicos em Portugal. 
Até para a semana e boas férias, se for o caso! 
Caso tenhas algum tema que gostasses de ver o Teodosius abordar, podes enviar mail parateodosius@ftw.pt
ramiro teodósio teodosius
Ramiro Teodósio é o CEO e fundador da For The Win eSports Club
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